jusbrasil.com.br
18 de Agosto de 2022

Do Conservador ao Disruptivo: A Jornada do Advogado 4.0

João Batista S. Costa Jr, Estudante
há 11 meses

Resumo

Vivemos em um momento histórico marcado por um grande número de mudanças sociais. O advento de diversas tecnologias está modificando a forma como lidamos com o mundo a nossa volta, com nossos costumes e, principalmente, com nossa carreira. A principal preocupação do graduando nesse looping de mudanças é: Terminei a graduação, e agora? Através de todo esse cenário pautamos nosso trabalho em analisar a transição de uma profissão considerada a mais conservadora do mercado, para uma nova realidade disruptiva, com forte pressão das novas tecnologias, e diversas abordagens sobre tantos temas já consagrados que estão sendo remodelados através do uso em massa da tecnologia, colocando os atuais formandos na “linha de frente” no estudo das repercussões advindas destas mudanças sociais, bem como o alicerce para as próximas gerações de advogados.

Palavras Chave: Advogado 4.0; Inovação; Carreia; Ensino Jurídico;

Introdução

O advento e implantação dos conceitos presentes na Quarta Revolução Industrial gerou um novo modelo de jurista no mercado, o advogado 4.0. A carreira jurídica, antes baseada em métodos conservadores vem sendo hoje abalroada com diversas possibilidades tecnológicas transformando a atuação do advogado a um novo patamar onde o desenvolvimento intelectual está sendo priorizado frente aos serviços analíticos e repetitivos antes presentes no dia a dia dos juristas. O tema proposto é parte de uma pesquisa mais ampla sobre as repercussões do Direito Digital, explorando sua aplicabilidade, dimensão e as necessidades implicadas pelo mercado contemporâneo.

A partir do estudo e conhecimento destas novas possibilidades de carreira, podemos verificar a carência destes novos perfis profissionais no mercado, gerando uma gama de possibilidades aos novos juristas de ingressarem nas demandas tecnológicas advindas da Indústria 4.0. A pesquisa visa verificar os novos desafios do ensino jurídico no Brasil, observando-se a necessidade de uma reformulação das matrizes curriculares, para possibilitar um ensino por competências e desta forma proporcionar uma formação mais especializada e dinâmica para o novo perfil profissional exigido no mercado: o do advogado 4.0, fomentando a análise sobre o rompimento do tradicionalismo e verificando a inserção deste novo profissional que se inseriu em uma versão modernizada seguindo a tendência global.

Através de tão caloroso debate, utilizamos a revisão bibliográfica de livros, periódicos e novos juristas, através de uma visão analítica e argumentativa, deixando como resultado deste estudo a necessidade de que devemos refletir sobre os impactos dessas inovações tecnológicas, sem precedentes, no atual cenário jurídico, que vem gerando uma nova concepção de carreira aos formandos além de pressionar, de forma positiva, os mais experientes e conservadores, ainda apegados às tradicionais estruturas.

A Formação dos Novos Juristas

A mudança nas grades curriculares das universidades estão se iniciando, mostrando o início desta transformação formativa tão necessária aos novos juristas. Mudanças que se mostram de suma importância para preparo dos novos profissionais, utilizando conceitos multidisciplinares, interdisciplinares e integradores de diversos conceitos advindos da Quarta Revolução Industrial. Tal empreitada não é tarefa simples, devemos considerar uma transformação docente e discente. Tanto o professor universitário deve remodelar seus conhecimentos e competências, quanto o aluno precisa ter uma visão ampla das carências do mercado e adequar sua formação de forma a suprir seus interesses pessoais e as tendências apresentadas.

O mercado criou “profissões” antes não conhecidas no mercado, como exemplo disso trazemos o business lawyer, um jurista que deve que contemplar conhecimentos em Direito, gestão e economia, no mínimo, a fim de atuar junto a Startups e novos empreendimentos. Em meio a todo o exposto, temos as Universidades, pressionadas pela sociedade para adequar seu ensino abrangendo tantas novas trocas de informação, adaptando as competências desenvolvidas junto aos alunos a visão de mercado, apoiando o desenvolvimento de skills que atendam às necessidades desta nova sociedade.

Através deste estudo, correlato à nossa pesquisa, pudemos verificar que o principal papel formativo dos novos juristas é o desenvolvimento do senso crítico multidisciplinar, desenvolvendo suas habilidades práticas e intelectuais, aproximando a formação pátria aos moldes europeus, amplamente difundidos através da globalização, adequando os novos profissionais as possíveis demandas advindas das questões tecnológicas, capacitando, desta forma, a busca de soluções para questões ainda não legisladas, algumas ainda nem existentes, que podem ser alvo das necessidades da sociedade e necessitam de profissionais com pensamento célere, criativo, e adaptativo para buscar soluções em atendimento às novas demandas.

O Advogado 4.0

O termo “advogado 4.0” está relacionado a “Indústria 4.0” ou Quarta Revolução Industrial, que se caracteriza pelo uso das novas tecnologias digitais inteligentes que objetivam a inovação e velocidade. As revoluções anteriores já nos mostravam sinais de que a sociedade caminhava para uma nova ruptura e mutação no entendimento da sua organização, criando hábitos, ideias, opiniões e sempre alterando de forma considerável nossas condutas sociais.

A influência sofrida na sociedade por meio das inovações tecnológicas têm grande importância na sociedade e não seria diferente nas profissões, a todo momento modificando algumas, criando novas e extinguindo outras que não se adaptam as novas realidades. A seara jurídica se tornou um campo repleto de possibilidades e ampliou a atuação do advogado de diversas formas.

O Advogado 4.0 é hoje o profissional jurídico que utiliza a tecnologia a seu favor, é aquele que não desgasta seu tempo com esforços repetitivos mas sim dedica ao uso intelectual, é o protagonista de um futuro próximo onde a integração entre os homens e a tecnologia será a base consolidada para garantir a efetividade de grande negócios jurídicos. A atuação do Advogado 4.0 não será marcada pela beligerância desenfreada comum no passado, pois a percepção estratégica deste profissional promoverá a adequação das demandas à melhor forma de resolução possível, através da análise, até mesmo estatística, através da jurimetria, a fim de proporcionar ao cliente as melhores possibilidades e oportunidades.

Carreira e Mercado

O mercado está em constante mudança e diante de suas inovações as empresas buscam novas tecnologias como investimento para suprir a necessidade de seus colaboradores e buscar novos clientes. O setor jurídico não está alheio a essa realidade, pelo contrário, acaba sendo vítima do primeiro impacto das súplicas da sociedade a respeito de toda essa inovação. Os modelos de negócio e os formatos das relações jurídicas estão mudando em rápida escala, muitos deles sequer tem um nome no direito.

Diariamente vemos negócios que transcendem o papel e as fronteiras, utilizando simultaneamente equipamentos, sistemas, smart contracts, assinaturas digitais, blockchain, além de diversas outras tecnologias, sem uma legislação específica, trazendo ao debate a real necessidade de legislar especificamente sobre cada uma, porém em nosso trabalho destacamos somente os aspectos referentes a carreira e a jornada dos novos juristas. Os ditames do mercado em relação ao judiciário se fizeram presente pelas necessidades processuais e procedimentais, impulsionando a criação de lawtechs e legaltechs, que estão cuidando de fazer com que certas tarefas e funções desempenhadas pelos advogados passem a ser automatizáveis, para assegurar maior escala e rentabilidade aos escritórios.

Considerações finais

Embora muitos associam a ideia de advogado 4.0 à figura do advogado do futuro, na verdade se trata de uma realidade e não apenas de uma mera tendência que caminha alinhada às transformações em todos os setores da economia, mercado e sociedade. A jornada do Advogado 4.0 não se limita aos novos juristas, mas abrange de vários modos todo o mercado jurídico, através de alterações disruptivas, adequação de comportamentos e, até mesmo, preferências sociais, gerando novas carreiras jurídicas para a absorção de demandas que nascem diariamente, baseadas em falhas e soluções tecnológicas, no ambiente tecnológico e, principalmente, na interação de toda essa tecnologia com a sociedade.

Todo o cenário estudado e exposto através deste trabalho nos leva a refletir sobre novas possibilidade, sobre a mutabilidade das relações, sobre o entendimento dos princípios do Direito a fim de gerar soluções céleres a estas novas demandas. A necessidade da formação multidisplinar associada aos novos conceitos de skills, reflete os anseios da sociedade e impulsiona a cada dia essa jornada dos profissionais do ramo.

Referências

BRASIL. Conselho Nacional de Justiça – CNJ. Conciliação e Mediação. Disponível em: <https://www.cnj.jus.br/programaseacoes/conciliacaoemediacao/>. Acessado em: 10 jun. 2018.

BRASIL. Conselho Nacional de Justiça – CNJ. Justiça em Números 2018: ano-base 2017. Brasília: CNJ, 2018. Disponível em: < https://www.cnj.jus.br/pesquisas-judiciarias/justiça-em-numeros/>;, acessado em 15 jun. 2018.

BECK, Ulrich. Sociedade de risco: rumo a uma outra modernidade. 2. ed. São Paulo: Editora 34, 2011.

BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.

Schwab, Klaus. Aplicando a Quarta Revolução Industrial. São Paulo: Edipro, 2018.

BRASIL, Constituição da Republica Federativa do Brasil de 1988, disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituição/constituicaocompilado.htm, acessado em 15/05/2018.

_______, LEI Nº 13.105, DE 16 DE MARÇO DE 2015 - Código de Processo Civil, disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm, acessado em 15/05/2018.

BRASIL, LEI Nº 13.709, DE 14 DE AGOSTO DE 2018, disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13709.htm, acessado em 22/08/2018.

__________, LEI Nº 12.965, DE 23 DE ABRIL DE 2014, disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l12965.htm, acessado em 22/05/2018.

Autores:

João Batista Soares Da Costa Junior, Luciano Viana Rozal e Priscila Chiappini Bastos

Orientadora:

Profª Drª Rossana Mariana de Seta Fisciletti

0 Comentários

Faça um comentário construtivo para esse documento.

Não use muitas letras maiúsculas, isso denota "GRITAR" ;)